DA DESONESTIDADE OU IMBECILIDADE INTELECTUAL DO INSTITUTO MISES BRASIL

Este breve artigo tem como objetivo demonstrar o erro intencional ou não do IMB neste artigo que fala sobre o suposto erro que nas palavras do próprio Instituto foi:

“um erro extremamente básico, um erro que possui monumentais consequências e que mudou o mundo para sempre.”

Reparem no tom ridicularizador e sensacionalista do comentário sobre o suposto erro, quando o autor afirma que mudou o mundo para sempre, obviamente pretende desacreditar tão importantes autores e dar credibilidade a corrente teórica seguida pelo próprio. Segundo Juan Fernando Carpio, mestre em economia autor deste artigo que se encontra no site do IMB, Karl Marx e Adam Smith cometeram o erro de confundir os conceitos de salário e lucro, atribuindo ao lucro o conceito de salário, nas próprias palavras do autor:

“Adam Smith nos diz que, em condições primitivas ou em cidades pequenas, aqueles indivíduos que vão ao mercado para vender seus produtos (sejam eles produtos agrícolas, parte do seu rebanho ou mesmo produtos manufaturados) ganham, nesse processo de venda, um salário. Isto é, a renda auferida por esses indivíduos que vendem bens no mercado é o seu salário.

Salário? Grave erro. Aquilo que é obtido por alguém que sai da autossuficiência agrícola para vender seus produtos no mercado não é um salário, mas, sim, um lucro.  Ou um prejuízo.  Lucros ou prejuízos são obtidos apenas por empreendedores.”

Como se não bastasse, o autor nem mesmo discorre sobre onde Marx definiu os ganhos do empreendedor como salário. Com duas citações, uma de Marx e outra de Smith, de obras de grande reconhecimento, desconstruo a argumentação do autor, são estas:

“Os proprietários da simples foça de trabalho, os proprietários do capital e os proprietários de terras, cujas respectivas fontes de renda são os salários, lucros e a renda imobiliária, em outras palavras, os trabalhadores assalariados, os capitalistas e os donos das terras formam as três grandes classes da sociedade moderna, baseada no sistema capitalista de produção.”¹

“Todo o produto anual da terra e do trabalho de cada país… divide-se, naturalmente… em três partes; a renda da terra, os salários do trabalho e os lucros do dinheiro; e constitui uma renda para três ordens diferentes de pessoas; para aquelas que vivem de rendas, para aquelas que vivem de salários e para aquelas que vivem do lucro. Estas são as três grandes originais e componentes de toda sociedade civilizada, de cuja renda deriva finalmente a de qualquer outra forma.”²

Link do artigo do IMB: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=909
¹ Karl Marx, Capital, III, traduzido da primeira edição alemã para o inglês por Ernest Untermann (Chicago: Kerr, 1909), 1031
²Adam Smith, The Wealth of Nations (Londres: Dent Everyman Edition, 1910), pág 230

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