A DISTORÇÃO DE FINALIDADE DO LIBERALISMO

A crise econômica que nosso mundo enfrenta desde 2008 fez inúmeras dúvidas surgirem no tocante às crenças do liberalismo econômico. O Brasil está passando por ela com relativa estabilidade, estamos em pleno emprego, a inflação tem assustado alguns, mas não há possibilidade dela desandar como nos anos 80. A Europa, no entanto, é quem mais sofre seus efeitos. Países como Grécia e Portugal têm sofrido sérios recuos tanto econômica, quanto socialmente, os portugueses enfrentam 17,7% de desemprego, os gregos 26,9%, e estes níveis sobem. O cenário é de estagflação, ou seja, o PIB recua e a inflação sobe. Estes fatos expõem as contradições dos princípios econômicos vigentes. A austeridade econômica não está surtindo efeito em termos de recuperação.
Esta contextualização tem o objetivo de dar bases a um questionamento das diretrizes econômicas mundiais, que influenciadas por movimentos liberais, basicamente creem que quanto mais desregulado é o mercado, maior é a prosperidade. A crença na auto regulação econômica com raízes na teoria da mão invisível de Adam Smith parecia realmente ser a saída mais sensata para os dois caminhos que o mundo tomou no século passado, o Nazismo e o Stalinismo, regimes totalitários que se mostraram trágicos e sangrentos.
A liberação do mercado foi profunda e realmente gerou crescimento, porém não desenvolvimento, o que assistimos foi o aumento da desigualdade na sociedade, e esta sempre leva a efeitos sociais prejudiciais em relação à violência. Fato é que o liberalismo tornou-se tão imperativo e inquestionável que este ultrapassou a esfera econômica e invadiu as relações sociais e políticas. O que pretendia ser um meio para nos tornar prósperos, tornou-se o fim de nossas ações. Tudo passou a ser regido pelos princípios do mercado, uma nova forma de totalitarismo, mais sutil, porém de força reconhecidamente grande.
O que observamos é o enfraquecimento do governo e o surgimento da governância, que se manifesta na prioridade dos interesses privados em relação aos públicos. A governância abriu espaço aos interesses financeiros, o que corrobora com esta visão são os largos benefícios concedidos as grandes corporações e bancos. Que por sua vez praticam lobby, o que se traduz em leis praticamente escritas pelos próprios, nas palavras do filósofo Dany-Robert Dufour, esta é a “ditadura dos acionistas”.
Constatada essa distorção liberal sofrida pela nossa sociedade, essa ditadura sutil dos interesses do mercado, devemos então assumir as rédeas da situação. É hora de retraçar o trajeto e definir metas claras. A economia é somente uma ferramenta, sua utilidade e finalidade é nos trazer desenvolvimento e bem estar.

“O liberalismo se plasma como um novo totalitarismo porque pretende gerir o conjunto das relações sociais. Nada deve escapar à ditadura dos mercados e isso converte o liberalismo em um novo totalitarismo que segue os dois anteriores. É então um novo caminho sem saída histórico. O liberalismo explorou o ser humano.”
Dany-Robert Dufour
2008 crisis

Referências:

http://www.tradingeconomics.com/greece/indicators
http://www.tradingeconomics.com/portugal/indicators
http://www.tradingeconomics.com/greece/unemployment-rate
http://www.tradingeconomics.com/portugal/unemployment-rate
http://www.conversaafiada.com.br/economia/2012/01/08/dufour-quem-vira-depois-do-liberalismo/
Conferência de Dany-Robert Dufour, “O Divino Mercado”, em 08/08/2009, promovida pelo Círculo Psicanálitico do Rio de Janeiro CPRJ.

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