EUA E ALIADOS USAM ARMAS QUÍMICAS

A justificativa norte americana de ataque a Síria pelo suposto uso de armas químicas contra a população por parte do governo sírio não só não foi comprovada, como também não se sustenta como argumento válido, tendo em vista que suas próprias forças armadas fazem uso[1] sistemático de agentes químicos, ignorando assim as Convenções de Genebra[2], da qual é signatário, o que configura crime de guerra.

Interessante para o início de uma análise do discurso pró-guerra dos EUA é uma citação do livro “Understanding Power” de Noam Chomsky:

“Veja por exemplo a locução “processo de pacificação”, que ouvimos todo o tempo. Esta  expressão “processo de pacificação” possui um significado nos dicionários, e quer dizer “processo que leva a paz”. Mas este não é o modo como é usado na mídia mainstream. O termo “processo de pacificação” é usado na mídia para referir-se a qualquer coisa que os Estados Unidos estiverem fazendo, não existe exceção… Tente achar uma só frase na mídia americana em que se afirma que os EUA se opõem ao processo de pacificação: não é possível.

Na realidade, há alguns meses atrás eu comentei isto numa palestra em Seattle, e alguém da plateia escreveu-me uma carta há mais ou menos  uma semana dizendo que interessou-se nesta observação, e então fez uma pequena pesquisa. Ele foi no banco de dados do New York Times, que possui os registros de 1980 (quando surgiu) até hoje, pesquisou todos os artigos que possuem a locução “processo de pacificação”.Haviam cerca de 900, e então checou se em algum deles registrava-se a oposição americana ao processo de pacificação. Não houve registro, em 100% dos artigos. Bem, até mesmo o mais santo dos países, digamos por acidente, alguma vez se opôs ao processo de pacificação. Mas no caso dos Estados Unidos, isto simplesmente não pode acontecer. E esta é uma ilustração significativa, tendo em vista que nos anos 80 os Estados Unidos foram o fator de maior peso na questão do bloqueio das negociações de paz, tanto na América Central, quanto no Oriente Médio.”[3]

Podemos reparar na memória e indignação seletiva do governo americano perante crimes de guerra. Em 2004, a cidade de Fallujah, no Iraque, foi seriamente atacada[4] quimicamente, por duas vezes, pelo agente fosforo branco principalmente, e por outras armas químicas, por forças americanas. Segundo a Anistia Internacional[5], o fósforo branco é capaz de queimar profundamente, atingindo músculos e ossos. Não há registro do número de vítimas imediato, mas as consequências da exposição química ainda são observadas atualmente, inúmeros bebês nascem com diversos problemas de má-formação, doutor Samira Alani, pediatra no Hospital Geral de Fallujah, assim descreve: “ Temos todos os tipos de má formação em bebês, desde doenças cardíacas congênitas até deformações físicas severas, ambas em números exorbitantes.” Doutor Alani registrou[6] entre outubro de 2009 e 29 de dezembro 2012, 699 casos.

O Jornal Internacional de Meio Ambiente e Saúde Pública, sediado na Suíça, publicou[7] um estudo em julho de 2010 que assim analisa a questão da saúde em Fallujah: “ O aumento nos casos de câncer, leucemia, mortalidade infantil e alterações nos índices de natalidade em Fallujah são significativamente maiores do que os registrados na população que sobreviveu as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945.”

Outro ataque químico ignorado pelos Estados Unidos, foi o praticado[8] pelo Estado Israelense na Faixa de Gaza em 2009, o agente químico novamente foi o fósforo branco.  O ataque realizado no dia 15 de janeiro no bairro de Tel al-Hawa, conhecido por ser habitado majoritariamente por famílias de trabalhadores palestinos, deixou 4 vítimas carbonizadas, todos familiares e civis que transitavam em um carro, segundo a Human Rights Watch. A ocupação israelense na palestina já fez[9] 8348 vítimas entre os palestinos, das quais 1519 crianças. Isto passa despercebido por Washington por alguma razão obscura.
O professor de história do Oriente Médio Mark Levine, da Universidade da Califórnia alega[10] em artigo escrito para a rede Al Jazeera:

“ Os Estados Unidos não só apoiou o uso de armas químicas pelo antigo regime iraquiano, como também usou armas químicas em larga escala durante as invasões ocorridas em 1991 e 2003 no próprio Iraque, na forma de urânio enriquecido. Dahr Jamail reportou a Al Jazeera que o uso de urânio enriquecido pelos EUA e Reino Unido é muito provavelmente a causa de muitos dos casos da Síndrome da Guerra do Golfo, sofrida pelos veteranos do Iraque. ”

Diante de toda essa exposição da parcialidade do “senso humanitário” do governo americano, nos resta questionar a real intenção dos Estados Unidos quando apoia financeiramente, e agora pretende apoiar ativamente a desestabilização e consequente queda do atual regime sírio, presidido por Bashar Al-Assad. Ontem o ministro das Relações Exteriores da Síria, Wallid Muallen declarou[11] que o país está pronto para assinar a CWC (Convenção Internacional para a Proibição de Armas Químicas, sigla em inglês) e se submeter a todas as obrigações impostas por ela. A resposta de Washington a essa disposição de Damasco demonstrará muito dos reais interesses ianques por trás dessa investida.
Iraq 2012:  The Summer After the U.S. Military Pullout
Referências:
[1] http://www.washingtonsblog.com/2013/08/the-u-s-and-israel-have-used-chemical-weapons-within-the-last-8-years.html
[2] http://www.icrc.org/por/war-and-law/treaties-customary-law/geneva-conventions/overview-geneva-conventions.htm
[3] Chomsky, Noam. Understanding Power: The Indispensable Chomsky. Nova York: The New Press, 2002. pág 18. 392 pág.
[4] http://www.globalresearch.ca/america-s-fallujah-legacy-white-phosphorous-depleted-uranium-the-fate-of-iraq-s-children/30372
[5] http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/news/israeli-armys-use-white-phosphorus-gaza-clear-undeniable-20090119
[6] http://www.aljazeera.com/indepth/features/2012/01/2012126394859797.html
[7] http://www.thecbdf.org/ar/cbdf-reaserch-papers/61-international-journal-of-environmental-studies-and-public-health-ijerph-switzerland-genetic-damage-and-health-in-fallujah-iraq-worse-than-hiroshima-
[8] http://www.hrw.org/node/81726/section/5
[9] http://www.ifamericansknew.org/
[10] http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2013/08/201382710851628525.html
[11]http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31140/siria+esta+pronta+para+assinar+convencao+que+proibe+armas+quimicas+diz+chanceler+.shtml

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