A RAIVA IDEOLÓGICA DE JABOR

Hoje, Arnaldo Jabor, colunista do Estadão e analista da Rede Globo, que nas manifestações de junho foi escrachado pela opinião pública pelo comentário elitista que emitiu sobre as manifestações do Movimento Passe Live, deu mais uma vez sérios sinais de que sua perspectiva ideológica o afeta profundamente no momento em que se propõe a analisar questões que condizem a nossa república. Em texto confuso publicado[1] em sua coluna do Estadão, Arnaldo não diferencia assuntos particulares de públicos e já não sabe mais diferir justiça de política. Comecemos, portanto, a destrinchar suas intenções por meio da publicação.

“Comecei a escrever este artigo e parei. Minhas mãos tremiam de medo diante da gravidade do assunto. Parei. Tomei um calmante e recomecei.”

Assim inicia seu texto, demonstrando claramente que seu emocional está influindo sobremaneira em sua análise, comprometendo a razoabilidade de seus comentários.

“o ministro Celso de Mello tem nas mãos o poder de decretar nosso futuro. Essa dependência do voto fatal de um homem só já é um despautério jurídico, um absurdo político.”

Esse trecho é bastante revelador se tivermos atenção, quando se refere ao acolhimento dos embargos infringentes, que somente preveem novo julgamento, com base jurídica para tanto desta maneira, tenta atribuir importância exagerada à decisão, com o objetivo de manipular opiniões e barganhar partidários. Não, um novo julgamento a alguns dos acusados não tem o poder de determinar nosso futuro, e a república não está ameaçada no caso do STF cumprir algo previsto pela jurisprudência de metade de nossos ministros. Quando avalia como absurdo político o voto de minerva do decano Celso de Mello, tenta jogar o poder de decisão para uma suposta opinião pública, esquecendo-se convenientemente do poder de manipulação dos meios de comunicação que assinam sua carteira.

“Tudo parecia um atemorizante sacrilégio, como se todos estivessem cometendo o pecado de ousar cumprir a lei julgando poderosos. Vi o “frisson” nervoso nos ministros juízes que, depois de sete anos de lentidão, tiveram de correr para cumprir os prazos impostos pelas chicanas e retardos…”

Seu comprometimento com o setor político adversário é gritante neste trecho. Em sua mente, o cumprimento da lei que visa um julgamento justo, trata-se de retardo, como se o nosso STF prestasse contas ao Partido dos Trabalhadores de suas decisões.

“Amanhã, Celso de Mello estará nos julgando a todos; julgará o País e o próprio Supremo.”

É de uma confusão mental, de uma raiva política tal comentário. Jabor tenta de todas as maneiras impor ao decano a sua opinião, ao ponto de dizer que um novo julgamento a alguns dos acusados é capaz de acabar com o Supremo, e de mudar o destino do povo. A pressão midiática é covarde.

“Nosso único foro seguro era (é?) o Supremo Tribunal.”

Enquanto o STF cumpria as vontades do setor político o qual ele integra, o foro era seguro, a partir do momento que não cumpre sua vontade deixa de ser. Esperneio infantil.

“Já imaginaram a euforia dos criminosos condenados e as portas todas abertas para os que roubam e roubarão em todos os tempos? Vai ser uma festa da uva. A democracia e a República serão palavras risíveis.”

155 milhões do mensalão tornam a república e a democracia risíveis. Mas 615 milhões sonegados de um de seus contratantes contribuem para o povo. Um erro não justifica o outro, ambos devem ser investigados, julgados e punidos, mas na forma da lei, não na forma que seus patrões desejam.

“O novato Barroso, considerado um homem “de talento robusto e sério”, como tantas personagens de Eça de Queiroz, já lançou a ideia e falou de sua “consciência individual” com orgulho e delícia: “Faço o que acho certo. Independentemente da repercussão. Não sou um juiz pautado sobre o que vai dizer o jornal no dia seguinte”. Mas, quem o pauta? A coruja de Minerva, o corvo de Poe, ou os urubus que sobrevoam nossa carniça nacional? Ele não é pautado por nada? A população que o envolve, não o comove?”

Respondo quem pauta o ministro Barroso, a constituição federal, o autor o sabe, porém prefere não comentar, pois isso não serve seus interesses. Quando assume a voz da população na última frase não consigo deixar de lembrar do próprio alguns meses atrás julgando mesquinhas as manifestações que eram “somente por vinte centavos”. Será mesmo que o que ele diz serve aos interesses da população?

“A verdade é que, desde o início, o desejo de ministros como o Lewandowski e o Toffoli era retardar o julgamento.”

Esta acusação é séria, porque pressupõe envolvimento dos ministros com os acusados, interessante seria apresentar provas ao invés de difamar de forma tão leviana. Mas é certo que não o fará.

“Será a vitória para os bolcheviques e corruptos lobistas. Ok, Dirceu, você venceu.”

Nesta última frase o flerte com a esquizofrenia é manifesto. Dirceu usurpou o STF para conseguir vence-lo né? Em um país no qual metade do orçamento público é gasto em juros de títulos que vão diretamente ao bolso das elites, onde se encontra este bolchevismo?

Por último, é necessário analisar as questões de forma fria, pois a justiça não é a vingança, e estamos julgando crimes e não medidas políticas. O STF é instituído para servir a república por meio da constituição, e não atendendo as reivindicações das mídias dominantes de intenções duvidosas.
jabor

 

Referência:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,amanha-o-brasil-muda-,1075649,0.htm

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