A GRANDE MÍDIA, A INFLAÇÃO E O CÍRCULO FECHADO DE DEBATE

O ano de 2013 trouxe consigo a questão da inflação novamente a tona nos debates econômicos de nosso país. A Grande Mídia noticiou de forma barulhenta o retorno do fantasma, explorou mais a emoção do que a racionalidade da população ao tocar neste assunto, tanto o é que em nenhum mês o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu a casa dos 1%, a última acumulada divulgada em outubro deste ano auferiu 4,3%[1] de inflação em 2013.

O propósito deste artigo porém não é analisar a pressão da demanda sobre a oferta em nosso país. O que se pretende é questionar o quão aberto está o debate acerca da economia nacional na Grande Mídia. Se é possível que outras perspectivas que não a liberal clássica possuam voz na hora de propor soluções a problemática econômica brasileira.

Considerando que a expansão da renda do brasileiro médio e os programas assistencialistas governamentais deram força a demanda e que nosso país é carente de investimentos em ganhos de produtividade tanto do setor público quanto privado, é plausível que a pressão inflacionária seja real, e não somente fruto de especulações midiáticas.

Neste contexto, o COPOM (Conselho de Política Monetária) elevou continuamente a taxa básica de juros, a SELIC, desde abril e alcançamos os 10% de juros na última reunião, como pode ser observado no gráfico abaixo, esta é considerada alta.

Historico-Selic-meta-2013-111

E é neste ponto que a carência do debate é sentida.

Os economistas que analisam esta situação na Grande Mídia parecem desconhecer outras linhas de atuação que não a elevação da SELIC para combater a inflação. Desconsidera-se desta maneira outras questões concernentes a nossa economia que podem retroalimentar os juros. Quando aumentamos a taxa básica de juros, o Estado passa a destinar maior fatia do orçamento para cumprir os compromissos assumidos com os títulos da dívida pública.

Ano passado 43,98% do orçamento foi gasto em juros da dívida, cada aumento de 1% da SELIC aumenta[2] os gastos com juros em 20 bilhões de reais ao longo de um ano. O sequestro do orçamento por parte dos juros aumenta a relação dívida/PIB, o que irá requerer ainda mais aumento dos juros posteriormente. Não obstante, o comprometimento exorbitante com os juros sufoca o Estado, as possibilidades de investimentos em infraestrutura, saúde e educação os quais nosso país é tão carente tornam-se ainda mais difíceis. O gráfico abaixo é do orçamento de 2012 e evidencia o quão nossas contas estão envolvidas em pagamentos de juros.

Orcamento-2012

Neste ponto, entra a influência negativa da mídia corporativa, oligárquica que existe em nosso país. O debate, as opiniões são sempre restringidos ao espectro interessante a própria oligarquia detentora de poder político e econômico. Chomsky já havia diagnosticado esta medida como forma eficiente de manipulação da opinião pública.

A solução de combate a inflação que não é mencionada nestes meios é o aumento do compulsório que os bancos devem depositar no Banco Central do Brasil. Esta medida retira dinheiro do mercado, o que reduz a pressão sobre a oferta sem sacrificar as contas públicas, os investimentos sociais.

Esta solução porém, não aumenta a fatia de nosso dinheiro que volta aos credores, não engorda os bolsos dos rentistas, não é de admirar que não seja mencionada na Grande Mídia.

Este quadro demonstra o quanto a democratização da mídia, a Ley de Medios que a Argentina vem implementando é necessária também para nós. A necessidade de ampliação do espectro de visões que influem no debate midiático dará mais robustez a nossa democracia, a fará responder com maior eficiência aos anseios da população.

Referências:

[1] http://www.calculador.com.br/tabela/ipca
[2] http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Divida-publica-e-juros-coquetel-explosivo/29667

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