Soneto a Gabriel

Faleceu hoje, aos 87 anos, o eterno Gabo, Gabriel García Márquez. Jornalista, escritor, ativista, colombiano e amante da poesia, ganhou o prêmio nobel de literatura em 1982 por seu romance Cem anos de solidão, no qual pelo realismo fantástico, conta a história da América Latina.

No discurso que proferiu quando da entrega do nobel, intitulado A solidão da América Latina, Gabo considera nosso continente como terra de todo especial, para o mal ou para o bem, do qual o romancista pouco precisa imaginar para sua criação.

“Poetas e mendigos, músicos e profetas, guerreiros e malandros, todos nós, criaturas daquela realidade desaforada, tivemos que pedir muito pouco à imaginação, porque para nós o maior desafio foi a insuficiência dos recursos convencionais para tornar nossa vida acreditável. Este é, amigos, o nó da nossa solidão.”

Sua vida foi dedicada a expor a realidade latino-americana, a cantar o amor por nosso povo sofrido e pela nossa unidade. Agora, após sua ida, os diversos veículos de imprensa que seriam seus inimigos o pintam como um escritor acima do mundo, isso não é verdade. García Márquez foi correspondente da Prensa Latina, mídia cubana, durante muitos anos, e sempre defendeu a igualdade e a justiça social da esquerda política.

Desde 1999 foi acometido por um câncer, sofria também de doença degenerativa que atacava sua memória. Neste ponto, abro espaço pra um relato pessoal que creio ser pertinente.

Na última madrugada do dia 11 para 12 estava em viagem quando escrevi o soneto que dá nome a este artigo. Compus na esperança de publicá-lo na rede em seu próximo aniversário, pra que a homenagem fosse feita numa data que não sua morte, fazendo assim uma associação mais feliz e menos oportunista. Não tive a chance, infelizmente.

Segue portanto, minha homenagem póstuma:

Soneto a Gabriel

Amante da Latino-América
atento observador popular
dedicou sua vida, sua pena
a nos unificar

o poeta da solidão
ao mundo inteiro cantou
as façanhas e desventuras
da gente de nosso chão

do continente dos abismos
que é capaz de amar ao infinito
e ainda assim abandonar seus filhos

agora descansa, Gabo
e não te aborreças porque se esqueces
sempre lembraremos de ti.

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