SOBRE A “INDEPENDÊNCIA” DA FOLHA POLÍTICA

Quando acessamos o site da agência de jornalismo “independente” de Folha Política nos deparamos imediatamente com este banner abaixo que impõe respeito e causa uma boa impressão, a de que haverá imparcialidade na hora do trato no assunto o qual se dedicam, a política. Uma análise mais detalhada porém nos revela fatos interessantes.
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Atentem por exemplo para o print extraído do artigo denominado “Globo recebeu mais de R$495 milhões de Dilma em 2012”. A manchete nos transmite a impressão de que nossa presidente está a influenciar a linha editorial da emissora por meio de pagamentos milionários. Se atentarmos porém ao corpo do artigo, notamos que o pagamento não foi realizado por Dilma nem pelo PT, e de que estes gastos na verdade tratam-se de “publicidade estatal”, ora, não diferenciar governo de Estado é um erro crasso que induz o leitor mais desatento ao engano. Continuemos então.
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Observem desta vez os anúncios de outros artigos relacionados ao assunto. A análise das manchetes novamente nos demonstram tendenciosidade. Quando trata-se do mensalão mineiro, no qual o PSDB é protagonista omite-se a informação que remete aos tucanos, quando porém o mensalão em questão é o do PT, o nome do ex-presidente Lula é citado. Uma proposta de jornalismo independente não deveria ou sempre ser genérica ou sempre ser específica para todos os atores políticos?imagem3

Finalizando a análise podemos consultar a seção de parceiros do site, lá encontramos como um deles o Movimento Contra Corrupção, que até para os mais distraídos deixa transparecer seu anti-petismo e indignação seletiva com a corrupção. Algumas conclusões pertinentes podem ser feitas após essas constatações.
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Abaixo deixo as referências as quais extraí os prints:

http://www.folhapolitica.org/2013/12/globo-recebeu-mais-de-r495-milhoes-de.html

http://www.folhapolitica.org/p/parceiros.html

Retificação: Anteriormente o artigo vinculava Folha Política ao grupo Uol por meio de um print de um anúncio e fazia conexão com a linha editorial da Folha de São Paulo, que pertence ao grupo. A ajuda de um leitor porém fez-me enxergar que esta associação era equivocada, portanto, editei e a retirei.

5 FRASES DE NELSON MANDELA QUE A GRANDE MÍDIA PREFERE ESCONDER

Esta semana o mundo perdeu um dos maiores líderes da História. Nelson Mandela faleceu quinta-feira, no dia 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, em Pretória, África do Sul. Principal agente político do fim do apartheid e da abertura política de seu país, sua morte gerou comoção mundial e a mídia o tem tratado como unanimidade.

O que é questionável porém é a descaracterização de sua postura política, o esvaziamento de sua ideologia e a exposição deste homem somente como um quase santo o qual fomentou as tão importantes mudanças em seu país sendo apolítico e pacífico sob quaisquer condições, este retrato não condiz com a realidade. Essa estratégia de alguns setores da mídia conservadora visa tão somente a neutralização de sua influência perante o atual cenário e configuração política de nossa sociedade.

Diante destas constatações nada melhor que conhecermos Madiba por suas próprias palavras, termos conhecimento real dos posicionamentos deste personagem que marcou a humanidade. Abaixo seguem cinco citações dele que dificilmente você verá divulgadas na Grande Mídia:

1. “Nós concordamos com as Nações Unidas quando esta declara que disputas internacionais devem ser solucionadas por vias pacíficas. A postura beligerante adotada pelo governo de Israel é inaceitável a nós. Se temos de nos referir a qualquer uma das partes como Estado terrorista, devemos fazê-lo em relação ao governo Israelense, porque eles são os que estão massacrando árabes inocentes e indefesos nos territórios ocupados e não consideramos isto aceitável.”

2. “Nem Bush nem Tony Blair forneceram evidências da existência de armas deste tipo (no Iraque). Porém o que sabemos é que Israel possui armas de destruição em massa. Ninguém fala sobre isso. Qual a razão de possuirmos um parâmetro para um país, especialmente quando este é negro, e outro para outro país, Israel, que é branco?”

3. “Se existe um país o qual cometeu atrocidades inimagináveis pelo mundo este é o Estados Unidos da América. Eles não se importam com a humanidade.”

4. “Desde sua alvorada a Revolução Cubana tem sido fonte de inspiração a todos os povos amantes da liberdade. Admiramos os sacrifícios do povo cubano em manter sua independência e soberania diante do imperialismo imoral que arquiteta campanhas que visam destruir o impressionante avanço realizado desde a Revolução Cubana. Vida longa a Revolução Cubana. Vida longa ao camarada Fidel Castro.”

5.  “A pobreza massiva e a desigualdade obscena são terríveis chagas de nossos tempos – tempos os quais o mundo galga impressionantes avanços na ciência, tecnologia, indústria e acumulação de riqueza – porém ainda assim temos de conviver com a escravidão e o apartheid. Dar fim a pobreza não é um gesto de caridade. É um ato de justiça. É a proteção de um direito humano fundamental, o direito a dignidade e a uma vida decente. Enquanto a pobreza existir não há liberdade genuína.”

As citações foram retiradas do original em inglês encontrado em: http://www.existenceisresistance.org/archives/3091

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A GRANDE MÍDIA, A INFLAÇÃO E O CÍRCULO FECHADO DE DEBATE

O ano de 2013 trouxe consigo a questão da inflação novamente a tona nos debates econômicos de nosso país. A Grande Mídia noticiou de forma barulhenta o retorno do fantasma, explorou mais a emoção do que a racionalidade da população ao tocar neste assunto, tanto o é que em nenhum mês o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu a casa dos 1%, a última acumulada divulgada em outubro deste ano auferiu 4,3%[1] de inflação em 2013.

O propósito deste artigo porém não é analisar a pressão da demanda sobre a oferta em nosso país. O que se pretende é questionar o quão aberto está o debate acerca da economia nacional na Grande Mídia. Se é possível que outras perspectivas que não a liberal clássica possuam voz na hora de propor soluções a problemática econômica brasileira.

Considerando que a expansão da renda do brasileiro médio e os programas assistencialistas governamentais deram força a demanda e que nosso país é carente de investimentos em ganhos de produtividade tanto do setor público quanto privado, é plausível que a pressão inflacionária seja real, e não somente fruto de especulações midiáticas.

Neste contexto, o COPOM (Conselho de Política Monetária) elevou continuamente a taxa básica de juros, a SELIC, desde abril e alcançamos os 10% de juros na última reunião, como pode ser observado no gráfico abaixo, esta é considerada alta.

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E é neste ponto que a carência do debate é sentida.

Os economistas que analisam esta situação na Grande Mídia parecem desconhecer outras linhas de atuação que não a elevação da SELIC para combater a inflação. Desconsidera-se desta maneira outras questões concernentes a nossa economia que podem retroalimentar os juros. Quando aumentamos a taxa básica de juros, o Estado passa a destinar maior fatia do orçamento para cumprir os compromissos assumidos com os títulos da dívida pública.

Ano passado 43,98% do orçamento foi gasto em juros da dívida, cada aumento de 1% da SELIC aumenta[2] os gastos com juros em 20 bilhões de reais ao longo de um ano. O sequestro do orçamento por parte dos juros aumenta a relação dívida/PIB, o que irá requerer ainda mais aumento dos juros posteriormente. Não obstante, o comprometimento exorbitante com os juros sufoca o Estado, as possibilidades de investimentos em infraestrutura, saúde e educação os quais nosso país é tão carente tornam-se ainda mais difíceis. O gráfico abaixo é do orçamento de 2012 e evidencia o quão nossas contas estão envolvidas em pagamentos de juros.

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Neste ponto, entra a influência negativa da mídia corporativa, oligárquica que existe em nosso país. O debate, as opiniões são sempre restringidos ao espectro interessante a própria oligarquia detentora de poder político e econômico. Chomsky já havia diagnosticado esta medida como forma eficiente de manipulação da opinião pública.

A solução de combate a inflação que não é mencionada nestes meios é o aumento do compulsório que os bancos devem depositar no Banco Central do Brasil. Esta medida retira dinheiro do mercado, o que reduz a pressão sobre a oferta sem sacrificar as contas públicas, os investimentos sociais.

Esta solução porém, não aumenta a fatia de nosso dinheiro que volta aos credores, não engorda os bolsos dos rentistas, não é de admirar que não seja mencionada na Grande Mídia.

Este quadro demonstra o quanto a democratização da mídia, a Ley de Medios que a Argentina vem implementando é necessária também para nós. A necessidade de ampliação do espectro de visões que influem no debate midiático dará mais robustez a nossa democracia, a fará responder com maior eficiência aos anseios da população.

Referências:

[1] http://www.calculador.com.br/tabela/ipca
[2] http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Divida-publica-e-juros-coquetel-explosivo/29667

A RAIVA IDEOLÓGICA DE JABOR

Hoje, Arnaldo Jabor, colunista do Estadão e analista da Rede Globo, que nas manifestações de junho foi escrachado pela opinião pública pelo comentário elitista que emitiu sobre as manifestações do Movimento Passe Live, deu mais uma vez sérios sinais de que sua perspectiva ideológica o afeta profundamente no momento em que se propõe a analisar questões que condizem a nossa república. Em texto confuso publicado[1] em sua coluna do Estadão, Arnaldo não diferencia assuntos particulares de públicos e já não sabe mais diferir justiça de política. Comecemos, portanto, a destrinchar suas intenções por meio da publicação.

“Comecei a escrever este artigo e parei. Minhas mãos tremiam de medo diante da gravidade do assunto. Parei. Tomei um calmante e recomecei.”

Assim inicia seu texto, demonstrando claramente que seu emocional está influindo sobremaneira em sua análise, comprometendo a razoabilidade de seus comentários.

“o ministro Celso de Mello tem nas mãos o poder de decretar nosso futuro. Essa dependência do voto fatal de um homem só já é um despautério jurídico, um absurdo político.”

Esse trecho é bastante revelador se tivermos atenção, quando se refere ao acolhimento dos embargos infringentes, que somente preveem novo julgamento, com base jurídica para tanto desta maneira, tenta atribuir importância exagerada à decisão, com o objetivo de manipular opiniões e barganhar partidários. Não, um novo julgamento a alguns dos acusados não tem o poder de determinar nosso futuro, e a república não está ameaçada no caso do STF cumprir algo previsto pela jurisprudência de metade de nossos ministros. Quando avalia como absurdo político o voto de minerva do decano Celso de Mello, tenta jogar o poder de decisão para uma suposta opinião pública, esquecendo-se convenientemente do poder de manipulação dos meios de comunicação que assinam sua carteira.

“Tudo parecia um atemorizante sacrilégio, como se todos estivessem cometendo o pecado de ousar cumprir a lei julgando poderosos. Vi o “frisson” nervoso nos ministros juízes que, depois de sete anos de lentidão, tiveram de correr para cumprir os prazos impostos pelas chicanas e retardos…”

Seu comprometimento com o setor político adversário é gritante neste trecho. Em sua mente, o cumprimento da lei que visa um julgamento justo, trata-se de retardo, como se o nosso STF prestasse contas ao Partido dos Trabalhadores de suas decisões.

“Amanhã, Celso de Mello estará nos julgando a todos; julgará o País e o próprio Supremo.”

É de uma confusão mental, de uma raiva política tal comentário. Jabor tenta de todas as maneiras impor ao decano a sua opinião, ao ponto de dizer que um novo julgamento a alguns dos acusados é capaz de acabar com o Supremo, e de mudar o destino do povo. A pressão midiática é covarde.

“Nosso único foro seguro era (é?) o Supremo Tribunal.”

Enquanto o STF cumpria as vontades do setor político o qual ele integra, o foro era seguro, a partir do momento que não cumpre sua vontade deixa de ser. Esperneio infantil.

“Já imaginaram a euforia dos criminosos condenados e as portas todas abertas para os que roubam e roubarão em todos os tempos? Vai ser uma festa da uva. A democracia e a República serão palavras risíveis.”

155 milhões do mensalão tornam a república e a democracia risíveis. Mas 615 milhões sonegados de um de seus contratantes contribuem para o povo. Um erro não justifica o outro, ambos devem ser investigados, julgados e punidos, mas na forma da lei, não na forma que seus patrões desejam.

“O novato Barroso, considerado um homem “de talento robusto e sério”, como tantas personagens de Eça de Queiroz, já lançou a ideia e falou de sua “consciência individual” com orgulho e delícia: “Faço o que acho certo. Independentemente da repercussão. Não sou um juiz pautado sobre o que vai dizer o jornal no dia seguinte”. Mas, quem o pauta? A coruja de Minerva, o corvo de Poe, ou os urubus que sobrevoam nossa carniça nacional? Ele não é pautado por nada? A população que o envolve, não o comove?”

Respondo quem pauta o ministro Barroso, a constituição federal, o autor o sabe, porém prefere não comentar, pois isso não serve seus interesses. Quando assume a voz da população na última frase não consigo deixar de lembrar do próprio alguns meses atrás julgando mesquinhas as manifestações que eram “somente por vinte centavos”. Será mesmo que o que ele diz serve aos interesses da população?

“A verdade é que, desde o início, o desejo de ministros como o Lewandowski e o Toffoli era retardar o julgamento.”

Esta acusação é séria, porque pressupõe envolvimento dos ministros com os acusados, interessante seria apresentar provas ao invés de difamar de forma tão leviana. Mas é certo que não o fará.

“Será a vitória para os bolcheviques e corruptos lobistas. Ok, Dirceu, você venceu.”

Nesta última frase o flerte com a esquizofrenia é manifesto. Dirceu usurpou o STF para conseguir vence-lo né? Em um país no qual metade do orçamento público é gasto em juros de títulos que vão diretamente ao bolso das elites, onde se encontra este bolchevismo?

Por último, é necessário analisar as questões de forma fria, pois a justiça não é a vingança, e estamos julgando crimes e não medidas políticas. O STF é instituído para servir a república por meio da constituição, e não atendendo as reivindicações das mídias dominantes de intenções duvidosas.
jabor

 

Referência:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,amanha-o-brasil-muda-,1075649,0.htm

AS DIVERGENTES ABORDAGENS À VIOLÊNCIA E SEUS RESULTADOS

A problemática da violência e como devemos aborda-la é uma questão de extrema relevância atualmente no Brasil. O debate é realizado todos os dias com a população por meio dos programas policialescos e sensacionalistas exibidos nas diversas emissoras de TV. É recorrente o apelo emocional que estes veículos realizam, consequência são as inúmeras mensagens raivosas clamando por pena de morte dos telespectadores. Mas deixando os ânimos de lado e analisando dados e diferentes abordagens, qual a melhor maneira de se lidar com a violência em um país?
Para examinar um quadro diverso, focaremos no sistema prisional americano e no norueguês, com visões opostas em relação a como se dá a punição aos infratores. Sendo o primeiro mais ligado à punição, e o segundo valorizando a reinserção do preso. E nos perguntando qual é a finalidade, diminuir a violência ou simplesmente punir? Para contextualizar ainda mais inseriremos dados do sistema prisional brasileiro, o que ajudará na reflexão sobre qual caminho tomar diante da realidade.
A população carcerária americana é a maior do mundo tanto absoluta quanto relativamente, em 2011 eram 2.239.751 indivíduos, 716 a cada 100.000 habitantes. Já a população carcerária norueguesa é a 176º de 223 países, em setembro de 2012 eram 3.575, ou 71 a cada 100.000 habitantes. Enquanto em nosso país possuíamos 548.003 presos, 274 a cada 100.000 habitantes, a 44º do mundo, em 2012.
Observando a abordagem dos EUA, constatamos que o país não reconhece a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que valorizam a punição severa, ou seja, o medo como forma de reeducar o infrator. Já na Noruega, valoriza-se a reinserção social do infrator, que é considerada como objetivo maior da punição. Muitas das prisões deste país não possuem grades, os presidiários tem acesso à biblioteca, a programas laborais, tudo isso visa evitar o ócio, que normalmente aumenta a violência interna.
Importante ressaltar que nos EUA a pena de morte e prisão perpétua é prevista em inúmeros estados. Enquanto na Noruega a pena máxima é de 21 anos, e inexiste a pena capital. Nosso país possui pena máxima de 30 anos, e de morte somente em Estado de guerra.
Mas os resultados são o que mais nos interessam, pois a justiça e punição visam à construção da paz na sociedade. Pois bem, segundo levantamento do Instituto Avante Brasil, nos EUA reincidem 60% dos punidos, enquanto na Noruega a reincidência é de 20%. No Brasil esse índice é de 70%.
Depois de todos esses fatos expostos, qual será o melhor caminho a ser tomado para a construção da paz em nossa sociedade? Devemos valorizar a sensação de “justiça” exercida pelas penas severas, ou mudar a abordagem para conseguirmos reduzir os índices de criminalidade de fato?
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Referências:
http://atualidadesdodireito.com.br/neemiasprudente/2013/03/06/sistema-prisional-brasileiro-desafios-e-solucoes/
http://atualidadesdodireito.com.br/iab/artigos-do-prof-lfg/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-de-criminosos/
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_incarceration_rate
http://www.prisonstudies.org/info/worldbrief/wpb_country.php?country=158
http://www.prisonstudies.org/info/worldbrief/wpb_country.php?country=214
http://www.prisonstudies.org/info/worldbrief/wpb_country.php?country=190
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/07/noruega-reabilita-maioria-criminosos-presidiarios-mundo.html

OPERAÇÃO CAÇA AO MATEMÁTICO, MUITA FORÇA? QUAL É O REAL INTERESSE DA GLOBO NELA?

O fato mais marcante da semana noticiado pela mídia brasileira deve ser comentado também na Homo Sapiens, qualquer veículo de mídia que propõe seriedade deve noticiar com objetividade os fatos, e também analisar criticamente as notícias, portanto vamos ao que interessa.
A operação que resultou na morte do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, foi realizada no dia 11 de maio de 2012, há quase um ano atrás portanto, teve suas imagens amplamente divulgadas pela rede Globo no programa Fantástico do último domingo, nas imagens do vídeo, observa-se um tiroteio generalizado em área residencial, na favela da Coreia, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
O vídeo já tem um caráter informativo muito maior do que qualquer artigo que você poderá ler, caro amigo que nos acompanha. Nele, podemos ver claramente o excesso de força praticado pelos agentes do helicóptero, os tiros deflagrados de uma metralhadora de guerra que a polícia não possui autorização para usar segundo o Exército, são disparados a torto e a direito atingindo inúmeras residências, tiveram potencial claro de ferir moradores ou qualquer desafortunado que estivesse no lugar errado na hora errada, detalhe, a operação foi noturna. Segundo os agentes envolvidos, só houve tiro por parte deles após os fugitivos abrirem fogo, admito que isso seja verdade neste artigo para prosseguir com o raciocínio. Os fugitivos abriram fogo? Com fogo devem ser respondidos, a questão está longe de ser essa. O que não pode acontecer é transformar uma cidade, um bairro, numa zona de guerra, a força foi desproporcional e a corregedoria deve tomar as medidas cabíveis em relação ao fato. Pra corroborar com a ideia da força desproporcional na operação também existe o fato da polícia federal já estar acompanhando todos os passos do Matemático desde meses atrás, o que elimina a possibilidade da operação possuir urgência.
Mais uma vez bato na mesma tecla quando o assunto é polícia violenta, devemos respeitar o Estado de Direito, tanto a população quanto o Estado, não há justificativa para tamanha violência praticada na operação. Nesse momento torno mais pessoal o discurso, toda vez que você ligar a televisão e assistir um programa que aplaude a violência excessiva do Estado, pense duas vezes antes de apoiá-la, porque, um dia esta violência pode ser voltada contra ti, ninguém está livre de ser confundido com um criminoso por exemplo.
Mas até aqui não acrescentei nada de novo ao tema não é? O detalhe que realmente me chama atenção é o fato, do Ministério Público já ter arquivado o inquérito no momento que foi exposto ao público o vídeo, nota-se disso que, não houve crítica interna do Estado a operação, se não houvesse chegado a grande mídia, provavelmente nunca ouviríamos falar deste acontecimento, e os agentes envolvidos não sofreriam nem mesmo uma coerção social contra a arbitrariedade de seus atos. Ou seja, os métodos irresponsáveis e violentos já são legítimos para o poder público, inconstitucionalidade?
Indo mais a fundo me ocorre outra dúvida, qual é o interesse da Rede Globo em repreender a polícia em relação a essa operação? Preocupação com os pobres cidadãos da favela da Coreia? Como já não acredito mais em humanismo nos grandes meios de comunicação, a única coisa que me ocorre para justificar o interesse da Globo nessa operação e a posição dela em relação é o fato de estarmos chegando na Copa, o Rio de Janeiro, precisa estar em paz para conseguir gerar todo o dinheiro possível de ser gerado num evento de tamanha grandeza. Turismo na favela, negócio bem rentável para os grandes, até ai não me oponho, pois a relação gera benefícios para moradores e empresários envolvidos. Mas será que o próximo passo é a especulação imobiliária nas áreas pacificadas e consequente saída dos moradores de baixo poder aquisitivo dos locais a preço de banana? Será que mais uma vez a lógica capitalista será o fim dessas ações e o pobre mais uma vez será desfavorecido?

Vídeo da operação: http://www.youtube.com/watch?v=oqWUO2rR3mw
Infográfico das violações aos direitos humanos em nome da Copa: http://www.apublica.org/2013/05/copa-direitos-humanos-infografico-animado/
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Texto publicado no dia 16/05/2013 na página do facebook Homo Sapiens.

REDE GLOBO SONEGA 615 MILHÕES, EMBOLSA DINHEIRO DO POVO.

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) está articulando uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a famosa CPI, com o intuito de investigar a famigerada, monopolista e manipuladora Rede Globo de telecomunicações por suposta sonegação de impostos que em 2006 já se encontrava na ordem de 615 milhões de reais. A Globo alega ter quitado a dívida, mas não esclarece quando nem quanto desembolsou. Se este passivo ainda estiver em aberto, já se encontrará na casa do bilhão.
Alguns pontos são importantes de serem salientados em relação a essa notícia. O fato de que essa sonegação constitui quase 4 vezes o valor do mensalão do PT, o escândalo de maior repercussão na mídia de nossos tempos, já demonstra o caráter golpista e desonesto dessa emissora, não importando se a Globo já pagou ou não, essa sempre fez comunicação defensora de interesses próprios. Tudo, caros leitores, tudo que essa emissora defende, o faz tão somente porque isso garante rios de dinheiro aos próprios bolsos, se mais alguém beneficia-se disso, é somente consequência impensada. A democratização da mídia torna-se de necessidade imperativa, a propaganda substitui a violência em nossos tempos. De maneira que o plim plim consegue manter vários de nós passivos frente a tanto descaso com a população brasileira, tanto do setor privado quanto público, a atenção a corrupção do setor público somente, trata-se de manobra dos meios de comunicação para sair da reta. Mas estamos vendo tudo isso, prova é o fato de várias emissoras tradicionais terem sido expulsas das diversas manifestações em todo país. A reformulação de nossa democracia exige a diminuição de poder dos grandes veículos de mídia atuantes em nosso país. Mas não se enganem, toda tentativa de o fazer será taxada de censura por parte dos “detentores” da informação.

o posso deixar de ressaltar a coragem do deputado Protógenes Queiroz, a Globo tem poder o suficiente para ir a desforra. Cabe a nós cientes dessa sujeira que envolve tão questionável empresa trabalharmos na contra-informação e permanecermos firmes na defesa dos interesses do povo.
http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/07/protogenes-comeca-a-articular-cpi-na-camara-para-investigar-globo-por-sonegacao-fiscal-758.html

globopig

Texto publicado na página do facebook Homo Sapiens, dia 06/07/2013.