O termômetro dos nossos dias

A desintegração da persistência da memória. Salvador Dali, 1954

Por Rennan Martins

Se engana aquele que julga ser preciso livros pra conhecer o mundo. Ele acontece e se mostra, a todo instante, diante dos nossos olhos

Impressiona aqueles que não notam a história, este espetáculo que ultrapassa todos os limites da ficção, acontecer incessantemente. As diversas interações sociais a pleno vapor, em todos os âmbitos, encantam e são dignos de nota.

Começo pelo fato que moveu minha escrita. Estou em Brasília, já passam das 2:30 da manhã de um 25 de maio, e chove.

A capital brasileira é conhecida por duas estações bem definidas de seca e chuva e se o clima não estivesse mudando tanto, a secura reinaria nesta época, sangrando o nariz dos forasteiros.

Que será que as mudanças climáticas, que só começaram, nos trarão com o presumível ganho de vigor? As previsões são pessimistas.

Continuando no clima. Se por aqui a água desequilibra a dinâmica do Cerrado, em São Paulo assistimos o Cantareira esvair-se, com o volume morto já em uso. Não foi somente a chuva que não veio, o grau de impermeabilização da localidade é tão alto que o ciclo hidrológico tem um deficit considerável de infiltração, que se transforma em enchentes e inundações.

Provavelmente encontraremos uma saída para esta questão crucial, mas temos o dever de procurar soluções de menor custo humano possível.

No campo político internacional, o cenário é o de um império, a saber, o norte-americano, se debatendo diante da perda de poder.

No ano em que nasci os ianques venciam a dura guerra contra os soviéticos, alcançando o auge. O intelectual de prateleira, Fukuyama, chegou a anunciar o fim da história, pra regozijo de seu amo.

Pouco mais de 22 anos depois de Gorbachev assinar a dissolução da URSS, seu arqui-inimigo à época vigia todo o planeta no objetivo de auferir ganhos e manter posição. Emblemático neste ponto é a última revelação do Wikileaks desta semana, que nos mostrou que todas as ligações do México, Bahamas, Filipinas, Quênia e Afeganistão são monitoradas.

Só que com essa prática estão a cruzar a linha do temor, alcançando a do ódio, o que os sentencia a queda, como ensinou Maquiavel.

A ascensão de uma ordem multipolar reflete a demanda dos desafios que temos a frente.

Com o capitalismo liberal conseguimos a fartura, que colateralmente trouxe a crise ambiental e um abismo social crescente.

Esta problemática só será superada por princípios coletivistas e colaborativos.

OS NEONAZISTAS, A UCRÂNIA E A REDE GLOBO

Desde novembro temos assistido a Ucrânia passar por diversas demonstrações contra o governo depois que o presidente Viktor Yanukovich, do Party of the Regions, declinou da proposta de integrar o país ao bloco econômico da União Europeia. A escalada da violência dos atos é evidente e as últimas notícias computam cinco mortos e mais de duzentos feridos na revolta que ficou conhecida como Euromaidan.

O que pouco é explorado nos noticiários é o caráter, as características políticas das lideranças do movimento, assistindo a grande mídia a única informação que conseguimos captar é que são manifestantes democratas que anseiam por se aproximar da Europa por compartilhar de valores civis ocidentais. Uma análise mais aproximada nos expõe outros fatos, no entanto.

Observemos a imagem do protesto abaixo:
Svoboda-MinisterioG

Nela podemos constatar duas bandeiras, a do partido de extrema direita Svoboda (Liberdade) em amarelo e azul e a do Exército Insurgente da Ucrânia em preto e vermelho, que para os desatentos facilmente passa por uma bandeira anarquista, uma rápida pesquisa porém nos informa que o Exército Insurgente da Ucrânia também possui valores neonazistas e estas duas organizações aliadas constituem a vanguarda das massas.

O analista político Dmitry Babich explana numa entrevista a Reuters: “estes neonazistas se envolveram e penso que devemos chamar algo pelo seu nome real. Os ultranacionalistas da Ucrânia ocidental são neonazistas.”

Esta foto de um dos manifestantes tem muito a nos dizer:
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Mais interessante é a análise dos atores políticos, as alianças e movimentações entre os líderes do levante e as lideranças ocidentais. O site de notícias Nihilist nos informa que o partido de oposição UDAR (Ukrainian Democratic Alliance for Reform) liderado pelo ex-boxeador ucraniano Vitaly Kitschko está em coalisão com o Svoboda, e que o primeiro foi fundado há três anos e é financiado pela fundação “Konrad Adenauer Stiftung”, criada pela primeira-ministra alemã Angela Merkel.

Podemos ver Klitschko (direita) e o líder do Svoboda, Oleh Tyahnybok, juntos em um ato nesta imagem:
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Essa ligação constitui evidência de financiamento estrangeiro ao golpe, principalmente se considerarmos que o presidente Yanukovich ofereceu ontem ao líder do partido de oposição Arseniy Yatsenyuk o cargo de primeiro ministro e ao próprio Klitschko o cargo de deputado do primeiro ministro encarregado de assuntos humanitários, e hoje ambos declararam que declinam da proposta e que a pauta de assinatura do acordo com a EU e antecipação das eleições continua como exigência.

Nesta foto podemos ver ambos:
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Digno de nota também é o encontro do líder do Svoboda, Oleh Tyahnybok, com o senador republicano John McCain noticiado pelo Channel4 no dia 16 de dezembro do ano passado. Com a atos revolta em crescimento, parece que o senador não poderia deixar de planejar alianças com seus semelhantes. Registrado em:
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Feitas todas essas considerações, o último comentário pertinente é sobre a postura da Rede Globo diante de todas essas conexões evidentes. Em matéria publicada no G1 na última quinta feira dia 23, o tom de exaltação aos manifestantes é evidente aos mais atentos, todas essas ligações expostas acima são ignoradas e as únicas vozes ouvidas caracterizam o governo como ditadura e o levante como revolução, o texto ainda fecha com uma declaração “inspiradora” de Klitschko: “Se for preciso brigar, brigarei; se for preciso marchar sob as balas, marcharei sob as balas”.

Parece que nosso maior veículo de mídia já escolheu seu lado.

5 FRASES DE NELSON MANDELA QUE A GRANDE MÍDIA PREFERE ESCONDER

Esta semana o mundo perdeu um dos maiores líderes da História. Nelson Mandela faleceu quinta-feira, no dia 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, em Pretória, África do Sul. Principal agente político do fim do apartheid e da abertura política de seu país, sua morte gerou comoção mundial e a mídia o tem tratado como unanimidade.

O que é questionável porém é a descaracterização de sua postura política, o esvaziamento de sua ideologia e a exposição deste homem somente como um quase santo o qual fomentou as tão importantes mudanças em seu país sendo apolítico e pacífico sob quaisquer condições, este retrato não condiz com a realidade. Essa estratégia de alguns setores da mídia conservadora visa tão somente a neutralização de sua influência perante o atual cenário e configuração política de nossa sociedade.

Diante destas constatações nada melhor que conhecermos Madiba por suas próprias palavras, termos conhecimento real dos posicionamentos deste personagem que marcou a humanidade. Abaixo seguem cinco citações dele que dificilmente você verá divulgadas na Grande Mídia:

1. “Nós concordamos com as Nações Unidas quando esta declara que disputas internacionais devem ser solucionadas por vias pacíficas. A postura beligerante adotada pelo governo de Israel é inaceitável a nós. Se temos de nos referir a qualquer uma das partes como Estado terrorista, devemos fazê-lo em relação ao governo Israelense, porque eles são os que estão massacrando árabes inocentes e indefesos nos territórios ocupados e não consideramos isto aceitável.”

2. “Nem Bush nem Tony Blair forneceram evidências da existência de armas deste tipo (no Iraque). Porém o que sabemos é que Israel possui armas de destruição em massa. Ninguém fala sobre isso. Qual a razão de possuirmos um parâmetro para um país, especialmente quando este é negro, e outro para outro país, Israel, que é branco?”

3. “Se existe um país o qual cometeu atrocidades inimagináveis pelo mundo este é o Estados Unidos da América. Eles não se importam com a humanidade.”

4. “Desde sua alvorada a Revolução Cubana tem sido fonte de inspiração a todos os povos amantes da liberdade. Admiramos os sacrifícios do povo cubano em manter sua independência e soberania diante do imperialismo imoral que arquiteta campanhas que visam destruir o impressionante avanço realizado desde a Revolução Cubana. Vida longa a Revolução Cubana. Vida longa ao camarada Fidel Castro.”

5.  “A pobreza massiva e a desigualdade obscena são terríveis chagas de nossos tempos – tempos os quais o mundo galga impressionantes avanços na ciência, tecnologia, indústria e acumulação de riqueza – porém ainda assim temos de conviver com a escravidão e o apartheid. Dar fim a pobreza não é um gesto de caridade. É um ato de justiça. É a proteção de um direito humano fundamental, o direito a dignidade e a uma vida decente. Enquanto a pobreza existir não há liberdade genuína.”

As citações foram retiradas do original em inglês encontrado em: http://www.existenceisresistance.org/archives/3091

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9 SINAIS DE QUE A ELITE ESTÁ PERDENDO O CONTROLE

O karma está vindo a passos largos em direção a elite. Enquanto os planos de intervenção na Síria são derrubados, vários sinais demonstram que a elite política e econômica está perdendo seu poder diante da humanidade.

A última década foi marcada por uma tentativa insana de consolidação do poder pela elite global frente ao povo. Estes planos sempre soaram como os de um vilão terrível de revista em quadrinhos, porém após o 11 de setembro estes aceleraram e a velocidade foi dobrada após a crise financeira de 2008.

Sim, estes planos estão condenados a falhar pois nós humanos somos concebidos para nos guiar por nossas próprias vontades e não controlados como um rebanho. Quanto mais a elite tenta controlar a população, maior se torna a entropia. Entropia, para aqueles que não sabem é a falta de ordem e previsibilidade, um decline gradual para a desordem.

Enquanto a elite desfruta de uma riqueza estrondosa comparada ao povo, se encontra cada vez mais forçada a exercer a tirania em nome da ordem. O que por sua vez expõe o lado escuro de seus interesses escondidos há muito. Não mais.

O povo está acordando massivamente, ao menos tão rápido quanto a elite constrói suas prisões em estilo Matrix. Parafraseando Victor Hugo, “Nenhum exército pode parar uma ideia quando o tempo dela é chegado.”

Abaixo seguem 9 sinais de que a elite está perdendo controle sobre a população:

  1. A versão oficial não mais convence: As mentiras contadas por eles simplesmente não mais funcionam. Houve um tempo em que a versão oficial, principalmente nos casos de guerra e paz tinha crédito. O quão mal é mentir a população principalmente nestes casos? O povo tendia a acreditar que a verdade era dita quando a vida estava envolvida na questão. Fomos enganados durante muito tempo, ainda que resolvam nos contar a verdade a partir de agora, poucos acreditariam.
  2. Não se confia mais na política: Os políticos possuem níveis de aprovação cada dia mais baixos. A confiança no poder público declina a cada instante em todos os lugares do mundo. Nos Estados Unidos por exemplo, 90% da população não crê na competência dos políticos. Em nosso país o Congresso Nacional possui[1] o penúltimo lugar no índice de confiança social do IBOPE com 29 pontos, numa escala de 0 a 100.
  3. Não se confia mais na grande mídia: No Brasil 87%[2] da população não acredita nos grandes meios de comunicação como defensores dos interesses populares, nos EUA este numero é de 77%. Exemplo marcante da perda de credibilidade da mídia corporativa foi o caso dos ataques químicos ocorridos na Síria, mesmo com o monopólio da informação ainda forte, o povo não deu crédito a versão oficial e desaprovou a intervenção.
  4. Os banqueiros são hostilizados: A Hungria tornou-se o primeiro país a seguir o exemplo da Islândia que rejeitou o Fundo Monetário Internacional e esta em vias de processar o antigo primeiro ministro o qual escravizou a população com a dívida.
  5. O Vaticano está mudando sua atuação radicalmente: Durante o papado de Bento XVI o Vaticano sofreu exposição negativa por conta de inúmeros escândalos de pedofilia, lavagem de dinheiro e fraudes. Bento então renunciou de forma inesperada, o que abriu caminho para o Papa Francisco, muito mais carismático. O novo papa tem tomado medidas enérgicas no sentido de recuperar a reputação da Igreja. Mesmo levando em conta a possibilidade destas mudanças serem retóricas, estes fatos demonstram que a Igreja se vê forçada a mudanças drásticas para não perder toda a credibilidade.
  6. Até mesmo os militares se rebelam: A possibilidade de mais uma intervenção americana na Síria foi acompanhada de inúmeros manifestos por parte de militares americanos avessos a mais uma guerra sem sentido. No Brasil, podemos observar casos de policiais que se negaram a agredir o povo, como o do policial que trocou o gás pimenta por água[3], outro foi do agente que atirou sua arma ao fogo[4] como forma de apoiar a população. E ainda mais um que se negou[5] a cumprir ordens arbitrárias e foi retirado de seu posto.
  7. Tropas policiais especializadas em repressão a manifestos: Um dos sinais mais claros de que as coisas saem dos trilhos é a intensa especialização da polícia em torno da repressão as manifestações em todo mundo. No Brasil a polícia se demonstra brutal[6] na maioria dos atos, o que escancara o despreparo e o desgaste das instituições em atender as demandas públicas.
  8. Os movimentos de cidadãos indignados atingiram escala mundial: Os últimos anos são testemunha de como os levantes populares estão cada dia mais fortes e generalizados. O caráter internacionalista dos atos é observado principalmente em fotos divulgadas nas redes sociais nas quais os manifestantes carregam bandeiras de outros países em apoio as suas respectivas causas.
  9. As plantas geneticamente modificadas são rejeitadas em todo lugar: Controla os alimentos e controlarás o povo. Verdade em teoria, porém muito mais complexo na prática. Companhias como a Monsanto estão cada dia mais expostas. Todo o seu poder político e econômico não consegue mais parar o consenso dos perigos em torno desses tipos de alimentos.
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Este artigo foi traduzido e adaptado a realidade brasileira. O original se encontra neste link: http://www.trueactivist.com/10-signs-the-global-elite-are-losing-control/

Referências:

[1] http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ibope-protestos-derrubam-credibilidade-das-instituicoes,1059657,0.htm
[
2] http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-08-16/so-78-acham-que-meios-de-comunicacao-defendem-interesses-da-populacao.html?fb_action_ids=410349745742776&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%7B%22410349745742776%22%3A700712846609904%7D&action_type_map=%7B%22410349745742776%22%3A%22og.recommends%22%7D&action_ref_map=%5B%5D
[
3] http://tabloidebr.terra.com.br/pm-que-utilizou-spray-de-agua-ao-inves-de-pimenta-e-afastado/
[4] http://www.youtube.com/watch?v=kX-a3Vx5yLg
[5] http://www.youtube.com/watch?v=AtLFhhMW5k4
[6] http://www.youtube.com/watch?v=5cLkPoLaCMM

EUA E ALIADOS USAM ARMAS QUÍMICAS

A justificativa norte americana de ataque a Síria pelo suposto uso de armas químicas contra a população por parte do governo sírio não só não foi comprovada, como também não se sustenta como argumento válido, tendo em vista que suas próprias forças armadas fazem uso[1] sistemático de agentes químicos, ignorando assim as Convenções de Genebra[2], da qual é signatário, o que configura crime de guerra.

Interessante para o início de uma análise do discurso pró-guerra dos EUA é uma citação do livro “Understanding Power” de Noam Chomsky:

“Veja por exemplo a locução “processo de pacificação”, que ouvimos todo o tempo. Esta  expressão “processo de pacificação” possui um significado nos dicionários, e quer dizer “processo que leva a paz”. Mas este não é o modo como é usado na mídia mainstream. O termo “processo de pacificação” é usado na mídia para referir-se a qualquer coisa que os Estados Unidos estiverem fazendo, não existe exceção… Tente achar uma só frase na mídia americana em que se afirma que os EUA se opõem ao processo de pacificação: não é possível.

Na realidade, há alguns meses atrás eu comentei isto numa palestra em Seattle, e alguém da plateia escreveu-me uma carta há mais ou menos  uma semana dizendo que interessou-se nesta observação, e então fez uma pequena pesquisa. Ele foi no banco de dados do New York Times, que possui os registros de 1980 (quando surgiu) até hoje, pesquisou todos os artigos que possuem a locução “processo de pacificação”.Haviam cerca de 900, e então checou se em algum deles registrava-se a oposição americana ao processo de pacificação. Não houve registro, em 100% dos artigos. Bem, até mesmo o mais santo dos países, digamos por acidente, alguma vez se opôs ao processo de pacificação. Mas no caso dos Estados Unidos, isto simplesmente não pode acontecer. E esta é uma ilustração significativa, tendo em vista que nos anos 80 os Estados Unidos foram o fator de maior peso na questão do bloqueio das negociações de paz, tanto na América Central, quanto no Oriente Médio.”[3]

Podemos reparar na memória e indignação seletiva do governo americano perante crimes de guerra. Em 2004, a cidade de Fallujah, no Iraque, foi seriamente atacada[4] quimicamente, por duas vezes, pelo agente fosforo branco principalmente, e por outras armas químicas, por forças americanas. Segundo a Anistia Internacional[5], o fósforo branco é capaz de queimar profundamente, atingindo músculos e ossos. Não há registro do número de vítimas imediato, mas as consequências da exposição química ainda são observadas atualmente, inúmeros bebês nascem com diversos problemas de má-formação, doutor Samira Alani, pediatra no Hospital Geral de Fallujah, assim descreve: “ Temos todos os tipos de má formação em bebês, desde doenças cardíacas congênitas até deformações físicas severas, ambas em números exorbitantes.” Doutor Alani registrou[6] entre outubro de 2009 e 29 de dezembro 2012, 699 casos.

O Jornal Internacional de Meio Ambiente e Saúde Pública, sediado na Suíça, publicou[7] um estudo em julho de 2010 que assim analisa a questão da saúde em Fallujah: “ O aumento nos casos de câncer, leucemia, mortalidade infantil e alterações nos índices de natalidade em Fallujah são significativamente maiores do que os registrados na população que sobreviveu as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945.”

Outro ataque químico ignorado pelos Estados Unidos, foi o praticado[8] pelo Estado Israelense na Faixa de Gaza em 2009, o agente químico novamente foi o fósforo branco.  O ataque realizado no dia 15 de janeiro no bairro de Tel al-Hawa, conhecido por ser habitado majoritariamente por famílias de trabalhadores palestinos, deixou 4 vítimas carbonizadas, todos familiares e civis que transitavam em um carro, segundo a Human Rights Watch. A ocupação israelense na palestina já fez[9] 8348 vítimas entre os palestinos, das quais 1519 crianças. Isto passa despercebido por Washington por alguma razão obscura.
O professor de história do Oriente Médio Mark Levine, da Universidade da Califórnia alega[10] em artigo escrito para a rede Al Jazeera:

“ Os Estados Unidos não só apoiou o uso de armas químicas pelo antigo regime iraquiano, como também usou armas químicas em larga escala durante as invasões ocorridas em 1991 e 2003 no próprio Iraque, na forma de urânio enriquecido. Dahr Jamail reportou a Al Jazeera que o uso de urânio enriquecido pelos EUA e Reino Unido é muito provavelmente a causa de muitos dos casos da Síndrome da Guerra do Golfo, sofrida pelos veteranos do Iraque. ”

Diante de toda essa exposição da parcialidade do “senso humanitário” do governo americano, nos resta questionar a real intenção dos Estados Unidos quando apoia financeiramente, e agora pretende apoiar ativamente a desestabilização e consequente queda do atual regime sírio, presidido por Bashar Al-Assad. Ontem o ministro das Relações Exteriores da Síria, Wallid Muallen declarou[11] que o país está pronto para assinar a CWC (Convenção Internacional para a Proibição de Armas Químicas, sigla em inglês) e se submeter a todas as obrigações impostas por ela. A resposta de Washington a essa disposição de Damasco demonstrará muito dos reais interesses ianques por trás dessa investida.
Iraq 2012:  The Summer After the U.S. Military Pullout
Referências:
[1] http://www.washingtonsblog.com/2013/08/the-u-s-and-israel-have-used-chemical-weapons-within-the-last-8-years.html
[2] http://www.icrc.org/por/war-and-law/treaties-customary-law/geneva-conventions/overview-geneva-conventions.htm
[3] Chomsky, Noam. Understanding Power: The Indispensable Chomsky. Nova York: The New Press, 2002. pág 18. 392 pág.
[4] http://www.globalresearch.ca/america-s-fallujah-legacy-white-phosphorous-depleted-uranium-the-fate-of-iraq-s-children/30372
[5] http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/news/israeli-armys-use-white-phosphorus-gaza-clear-undeniable-20090119
[6] http://www.aljazeera.com/indepth/features/2012/01/2012126394859797.html
[7] http://www.thecbdf.org/ar/cbdf-reaserch-papers/61-international-journal-of-environmental-studies-and-public-health-ijerph-switzerland-genetic-damage-and-health-in-fallujah-iraq-worse-than-hiroshima-
[8] http://www.hrw.org/node/81726/section/5
[9] http://www.ifamericansknew.org/
[10] http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2013/08/201382710851628525.html
[11]http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31140/siria+esta+pronta+para+assinar+convencao+que+proibe+armas+quimicas+diz+chanceler+.shtml

CARTA DE UM CIDADÃO SÍRIO SOBRE A GUERRA, PARA O BRASIL

Ontem de madrugada navegando pelas redes sociais vi um comentário no qual o usuário se declarava sírio, na página Occuppy Wall St, pedi então a ele um relato sobre o que realmente está acontecendo em seu país, e em um texto bem corajoso ele nos passa a visão de quem está vivendo e vendo de perto seu país ser destruído. Preservo sua identidade por motivos óbvios. Segue a tradução de seu relato, na íntegra:

“Estas são as razões da guerra na Síria…

Existem diversos fatores por trás deste furioso ataque à Síria…
– Políticas…
– Econômicas…
– Históricas…
– Geográficas…

Políticas:
Porque a Síria é o único país do Oriente Médio que continua rejeitando os arbítrios dos EUA e União Europeia e é o único país que luta contra os projetos de expansão do Estado de Israel… !!!
Econômicas:
Pelo fato da Síria ser totalmente autossuficiente, o que nos torna um país que toma atitudes independentes, e não aceita medidas nem toma qualquer direção por pressões externas. Este fato por si só incomoda o ocidente que pretende controlar todos que puderem.
Históricas:
A Síria é o país mais antigo do mundo, Damasco, sua capital, existe há mais de 11000 anos… O que faz de nosso país um lugar cheio de riquezas que estrangeiros tentam sistematicamente pôr suas mãos, há séculos. A Síria é o país em que todas as civilizações, as línguas, as artes e as religiões se encontraram e se espalharam pelo mundo.
Geográficas:
A Síria é um país que faz conexão entre a Ásia e a Europa… O nos faz um lugar visado pelas grandes potências econômicas do mundo contemporâneo… Os chineses, os russos, os americanos, as lideranças europeias, assim como as economias emergentes como a de vocês do Brasil.
Todos os gasodutos e oleodutos que fazem conexão Ásia-Europa tem de passar pela Síria… Portanto os poderosos incomodam-se por isto não estar sob o controle deles… Por estar sob o controle do povo sírio.
Soma-se a tudo isto o fato de estudos recentes apontarem que o território sírio possui as mais ricas reservas de petróleo e gás que ainda não foram exploradas, e somente isto já faria da Síria um alvo… !!!
Não há guerra civil na Síria como alegam… Nunca houve e nunca haveria.
Sírios de varias etnias e religiões vivem juntos em paz e harmonia há milhares de anos… Isto é uma guerra contra a Síria… Planejada, financiada e dirigida principalmente pelos EUA, Israel, Inglaterra e a França com a ajuda e assistência de alguns governos regionais, como o da Turquia de Erdogan, o Líbano de Sa’ad AlHariri, e as famílias reais dos países do golfo, como Arábia Saudita e Qatar, que são seus mais leais sujeitados.
Todos estes agentes juntos tem financiado a guerra contra a Síria… Eles importaram em torno de 150.000 mercenários de todo lugar do mundo para a Síria para tentar destruir-nos.
Naturalmente também contrataram alguns cidadãos sírios, os criminosos e fora-da-lei chamados Exército Sírio Livre (The Free Syrian Army) para fazer parecer um legítimo levante revolucionário promovido pelo povo sírio.
É somente contra estes assassinos que o grande e patriota Exército Sírio está lutando nos últimos dois anos e meio, tentando limpar nossa sagrada terra dessa sujeira, e estão fazendo um grande trabalho eliminando tantos deles, e quando aqueles que os contrataram se deram conta de que estavam sendo derrotados, perderam suas cabeças e agora tentam passar ao conflito aberto.
Esta é toda a história por trás desta guerra insana na Síria meu amigo, espero ter sido capaz de explicar a você o mais claro e breve possível.
Obrigado caro amigo por sua preocupação e apoio.”

QH

Syria-Civil-War

RÚSSIA ORDENA ATAQUE A ARÁBIA SAUDITA, CASO OCIDENTE ATAQUE A SÍRIA

Ontem, dia 27 de agosto de 2013, o escritório do presidente da Rússia, Vladimir Putin expediu um memorando as Forças Armadas ordenando uma ação militar massiva contra a Arábia Saudita[1] no caso do Ocidente (EUA, Inglaterra e França) atacar a Síria. Tropas americanas já começam a ocupar posições estratégicas em relação à Síria[2].
De acordo com o Kremlin, essa ordem de guerra veio em resposta a reunião do presidente Putin com o príncipe saudita Bandar bin Sultan, que teria afirmado que se a Rússia não aceitasse a queda do atual governo sírio comandado por Bahsar Al Assad, a Arábia Saudita iria permitir aos terroristas chechenos sob seu controle ações de assassinato em massa e promoção do caos em território russo durante os Jogos Olímpicos de Inverno previstos para 2014.
Em tom insinuante, o príncipe saudita teria dito: “Posso garantir a completa segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno do ano que vem. Os extremistas chechenos que ameaçam a segurança dos jogos são controlados por nós”[3]. Além de alianças políticas, Bandar bin Sultan teria tocado na questão energética na reunião de portas fechadas,  nas transcrições não autorizadas consta a seguinte afirmação: “Examinemos como podemos unificar uma estratégia de cooperação Rússia-Arábia Saudita no tópico do petróleo. A intenção é em concordar no preço e quantidade produzida de maneira que mantenha o mercado global de petróleo estável”[3]. Essa declaração parece oferecer uma aliança entre a OPEC e a Rússia, no caso de mudanças estratégicas russas em relação à Síria. Putin assim teria replicado: “Nossa posição em relação a Assad nunca mudará. Acreditamos que o atual regime responde pelos interesses do povo sírio, e não estes canibais”. O presidente russo se referiu assim aos insurgentes por conta do vídeo[4] do dia 15 de maio, no qual um rebelde sírio extrai o coração de um soldado governista e aparenta come-lo.
Digno de nota, é o documento vazado[5] por Bradley Manning ao Wikileaks, no qual o serviço de inteligência americana ainda em 2006 discorre da seguinte maneira sobre Assad: “Ações que causem a instabilidade e aumentem sua insegurança são de nosso interesse…”. O que leva a suspeitas sobre os pronunciamentos da Casa Branca como o do vice-presidente Joe Biden que ontem declarou[6] não haver dúvidas de que o regime sírio teria usado armas químicas contra a população.
Com os eventos saindo de controle na Síria, o jornal britânico The Independent publicou[7] na segunda feira que o príncipe saudita, de estreitas relações com os EUA, tem trabalhado no suporte as facções rebeldes sírias, fornecendo inclusive armas e treinamentos na busca da derrubada do presidente Bashar Al-Assad. O jornalista independente Ben Swann apurou[8] ainda em junho que a organização terrorista Al-Qaeda estaria atuando em apoio aos rebeldes sírios. Ainda neste contexto, o ministro das relações exteriores russo, Aleksandr Lukashevich, alertou[9] que: “Tentativas de ignorar o Conselho de Segurança, para mais uma vez criar situações artificiais que deem justificativas para uma intervenção militar na região causarão ainda mais sofrimento na Síria e catastróficas consequências para outros países do Oriente Médio e do norte da África”.
Alheios às declarações russas, o premiê britânico David Cameron convocou[9] novamente o parlamento para a votação sobre o ataque em solo sírio. Enquanto o presidente Obama cancelou[10] abruptamente uma reunião entre diplomatas russos e americanos prevista para hoje. Segundo a CBS, a reunião possuía a intenção de traçar medidas com o objetivo de encerrar a guerra civil na Síria.
O governo sírio alertou[11] nesta segunda por meio do ministro das relações exteriores, Faisal Mikdad, que uma intervenção de americanos e aliados poderia gerar grande ameaça à paz mundial. Diante desta configuração geopolítica, tudo indica que qualquer ataque a Síria será considerado pelo Kremlin um ataque à Rússia.
Segundo o The European Union Times, este ataque à Síria, liderado pela Arábia Saudita, Qatar e os aliados ocidentais tem o objetivo de quebrar o domínio russo sobre o mercado de gás natural, com a construção de um gasoduto em território sírio[1].
Sobre as tentativas de derrubada do governo sírio e o ataque químico[12] ocorrido no dia 21 em Damasco, o qual vitimou mais de 1.300 pessoas, o ministro das relações exteriores russo analisou[13] como sendo uma ação planejada de incriminação do governo por parte dos interessados na queda do regime.
As circunstâncias indicam que mais uma vez o Ocidente e aliados premeditaram ações de justificativa a intervenção militar, com vistas ao domínio de recursos energéticos, isso soa muito familiar.

Este artigo é adaptado do original em inglês disponível em: http://www.eutimes.net/2013/08/putin-orders-massive-strike-against-saudi-arabia-if-west-attacks-syria/
Ataque químico Síria 21-08-13
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Referências:
[1] http://www.eutimes.net/2013/08/putin-orders-massive-strike-against-saudi-arabia-if-west-attacks-syria/
[2] http://pt.euronews.com/2013/08/27/siria-forcas-militares-do-ocidente-ja-ocupam-posices-estrategicas/
[3] http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/energy/oilandgas/10266957/Saudis-offer-Russia-secret-oil-deal-if-it-drops-Syria.html
[4] http://thelibertarianrepublic.com/video-syrian-rebel-cuts-out-soldiers-heart-and-eats-it-nsfw/
[5] http://www.wikileaks.org/plusd/cables/06DAMASCUS5399_a.html#efmBA8BJR
[6] http://noticias.terra.com.br/mundo/estados-unidos/biden-diz-nao-ter-duvida-de-que-governo-sirio-usou-armas-quimicas,e1517d5318eb0410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html
[7] http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/syria-the-saudi-connection-the-prince-with-close-ties-to-washington-at-the-heart-of-the-push-for-war-8785049.html?printService=print
[8] http://benswann.com/what-the-media-isnt-telling-you-about-syrian-civil-war/
[9] http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/syria-crisis-uk-and-us-vow-that-any-military-response-is-not-about-regime-change-as-parliament-is-recalled-to-vote-on-intervention-8785140.html
[10] http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57600192/source-u.s-postpones-meeting-with-russia-about-syria/
[11] http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57600101/fearing-a-u.s-strike-syria-warns-of-global-chaos/
[12]http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2013/08/21/interna_mundo,383633/mais-de-1-300-pessoas-morreram-no-ataque-quimico-na-periferia-de-damasco.shtml
[13] http://rt.com/news/syria-chemical-prepared-advance-901/

A DISTORÇÃO DE FINALIDADE DO LIBERALISMO

A crise econômica que nosso mundo enfrenta desde 2008 fez inúmeras dúvidas surgirem no tocante às crenças do liberalismo econômico. O Brasil está passando por ela com relativa estabilidade, estamos em pleno emprego, a inflação tem assustado alguns, mas não há possibilidade dela desandar como nos anos 80. A Europa, no entanto, é quem mais sofre seus efeitos. Países como Grécia e Portugal têm sofrido sérios recuos tanto econômica, quanto socialmente, os portugueses enfrentam 17,7% de desemprego, os gregos 26,9%, e estes níveis sobem. O cenário é de estagflação, ou seja, o PIB recua e a inflação sobe. Estes fatos expõem as contradições dos princípios econômicos vigentes. A austeridade econômica não está surtindo efeito em termos de recuperação.
Esta contextualização tem o objetivo de dar bases a um questionamento das diretrizes econômicas mundiais, que influenciadas por movimentos liberais, basicamente creem que quanto mais desregulado é o mercado, maior é a prosperidade. A crença na auto regulação econômica com raízes na teoria da mão invisível de Adam Smith parecia realmente ser a saída mais sensata para os dois caminhos que o mundo tomou no século passado, o Nazismo e o Stalinismo, regimes totalitários que se mostraram trágicos e sangrentos.
A liberação do mercado foi profunda e realmente gerou crescimento, porém não desenvolvimento, o que assistimos foi o aumento da desigualdade na sociedade, e esta sempre leva a efeitos sociais prejudiciais em relação à violência. Fato é que o liberalismo tornou-se tão imperativo e inquestionável que este ultrapassou a esfera econômica e invadiu as relações sociais e políticas. O que pretendia ser um meio para nos tornar prósperos, tornou-se o fim de nossas ações. Tudo passou a ser regido pelos princípios do mercado, uma nova forma de totalitarismo, mais sutil, porém de força reconhecidamente grande.
O que observamos é o enfraquecimento do governo e o surgimento da governância, que se manifesta na prioridade dos interesses privados em relação aos públicos. A governância abriu espaço aos interesses financeiros, o que corrobora com esta visão são os largos benefícios concedidos as grandes corporações e bancos. Que por sua vez praticam lobby, o que se traduz em leis praticamente escritas pelos próprios, nas palavras do filósofo Dany-Robert Dufour, esta é a “ditadura dos acionistas”.
Constatada essa distorção liberal sofrida pela nossa sociedade, essa ditadura sutil dos interesses do mercado, devemos então assumir as rédeas da situação. É hora de retraçar o trajeto e definir metas claras. A economia é somente uma ferramenta, sua utilidade e finalidade é nos trazer desenvolvimento e bem estar.

“O liberalismo se plasma como um novo totalitarismo porque pretende gerir o conjunto das relações sociais. Nada deve escapar à ditadura dos mercados e isso converte o liberalismo em um novo totalitarismo que segue os dois anteriores. É então um novo caminho sem saída histórico. O liberalismo explorou o ser humano.”
Dany-Robert Dufour
2008 crisis

Referências:

http://www.tradingeconomics.com/greece/indicators
http://www.tradingeconomics.com/portugal/indicators
http://www.tradingeconomics.com/greece/unemployment-rate
http://www.tradingeconomics.com/portugal/unemployment-rate
http://www.conversaafiada.com.br/economia/2012/01/08/dufour-quem-vira-depois-do-liberalismo/
Conferência de Dany-Robert Dufour, “O Divino Mercado”, em 08/08/2009, promovida pelo Círculo Psicanálitico do Rio de Janeiro CPRJ.

MILITARES GOVERNANDO PARA O POVO NO EGITO?

Os mais atentos estão cientes do golpe militar que o Egito sofreu ontem. O presidente da suprema corte de justiça, Adli Mahmud, assumiu o cargo hoje. O governo anterior eleito há quase um ano era composto majoritariamente por membros da Irmandade Muçulmana. Fontes locais afirmam que o partido aproveitou-se da situação política indefinida e levarão um desconhecido ao poder, Mohamed Mursi, pois sabiam que qualquer liderança islâmica reconhecida seria sistematicamente rechaçada. Ao longo desse quase um ano de democracia o governo isolou-se completamente, a maioria dos cargos estava ocupada por membros da Irmandade Muçulmana, a economia foi negligenciada ao extremo e o povo sofreu islamização forçada. Considerando uma democracia incipiente, este erro foi crucial para levar mais de 30 milhões de egípcios as ruas, o maior ato popular da história da humanidade.
O Egito viveu ditadura militar desde 1952 e só foi derrubada em 2011, na primavera árabe quando destituíram Mubarak. Neste tempo, as Forças Armadas nacionais tornaram-se um Estado a parte, são mais de 500.000 cidadãos que possuem os principais comércios em mãos, e diversos direitos previstos que lhes conferem vantagem em relação aos civis, trocando em miúdos, são uma das, se não a principal força política egípcia. Percebe-se também que o golpe foi recebido de braços abertos pela população, o que para alguns pode causar estranhamento, se lembrarmos da ditadura que nosso país viveu, mas tudo faz sentido se melhor analisado. As Forças Armadas egípcias não são os mais indicados para governar o país, eles sempre moldaram todas as esferas da sociedade para garantir seus privilégios. O próprio governo de Mursi tinha lhes mantido todas as regalias pois estavam cientes de que a qualquer momento eles poderiam fazer o que fizeram. Os militares foram oportunistas mais uma vez, aproveitaram-se do clamor popular pela queda do governo para tomar as rédeas e moldar a “democracia” que será implantada. Se o povo egípcio não tiver pulso firme e atenção na transição e aprovação da nova constituição, continuarão com políticos que governam para si próprios.
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Texto publicado no dia 04/07/2013 na página do facebook Homo Sapiens. No dia 16/07 o general do exército Abdel-Fattah al-Sisi assumiu o cargo de vice-premiê. Fato apurado nesta notícia http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE96F04J20130716